INVADER-B - Gestão de plantas INVasoras em Portugal: da prevenção à DEtecção Remota e controlo biológico de Acacia longifolia
Investigador Responsável - Elizabete Marchante
Programa - Projetos de Investigação Científica e Desenvolvimento Tecnológico - 2010
Período de Execução - 2013-07-01 - 2015-11-30 (29 Meses)
Entidade Financiadora - COMPETE e Fundação para a Ciência e a Tecnologia
Financiamento Total - 199 983 €
Instituicão Proponente - Centro de Ecologia Funcional, Universidade de Coimbra
Instituicões Participantes
Escola Superior Agrária, Instituto Politécnico de Coimbra

As espécies exóticas invasoras são reconhecidas como uma das principais componentes das alterações globais mediadas pelo Homem, implicando perdas significativas a nível económico e impactes graves na biodiversidade e na funcionalidade dos ecossistemas. Desde cientistas, a políticos (Comissão Europeia, Governo Português) passando por Organizações Globais (ISSG, UICN, Millennium Assessment), todos reconhecem a gravidade dos problemas causados por estas spécies. A resposta política a estas ameaças, apoiada em conhecimentos científicos, baseia-se numa abordagem hierárquica composta por 3 etapas: 1) prevenção, 2) deteção precoce e erradicação, 3) controlo e contenção a longo prazo. Neste projeto, pretendemos contribuir para as 3 etapas através de várias tarefas que se conjugam numa estratégia integrada de conservação.



A sensibilização do público é fundamental para a prevenção; o programa de deteção-precoce de plantas invasoras proposto envolverá alunos (10-18 anos), a nível nacional, na recolha de dados (Tarefa 5), respondendo às 2 primeiras etapas. As questões científicas fulcrais do projeto (Tarefas 1 a 4) visam a aplicação segura de controlo biológico sendo uma contribuição relevante para o controlo de Acacia longifolia (3ª etapa). O projeto contribuirá ainda, de forma significativa, para o avanço científico ao incluir 2 temas inovadores: 1) previsão dos efeitos indiretos de um agente de controlo biológico, antes da sua libertação; e 2) uso de deteção remota (espectroscopia) para monitorizar os efeitos do agente de controlo biológico.
A lei portuguesa lista 29 plantas invasoras, incluindo A. longifolia. Esta espécie promove impactes negativos a vários níveis do ecossistema. Esta e outras espécies de Acacia são controladas com sucesso na África do Sul através de controlo biológico. No entanto, o controlo biológico de plantas que invadem ambientes naturais ainda não é uma opção em Portugal e mesmo na Europa o primeiro agente foi libertado apenas em 2010. Em Portugal, milhões de € têm sido gastos em projetos de controlo de A. longifolia, através de métodos químicos e mecânicos, mas com pouco sucesso, frequentemente devido ao numeroso banco de sementes. Procurando uma alternativa mais eficaz e sustentável, esta equipa tem vindo a estudar o potencial de utilização de Trichilogaster acaciaelongifoliae, uma vespa australiana formadora de galhas que diminuiu 85-100% da produção de sementes de A. longifolia na África do Sul, onde foi libertada há mais de 25 anos. Ao longo deste tempo, não se detetaram efeitos diretos em espécies não-alvo (apenas "split over" residual). Infelizmente, assim como para a maioria das espécies, não há dados que quantifiquem a eficácia geral do agente. Em Portugal, os testes de especificidade em quarentena (efeitos diretos em espécies não-alvo) foram concluídos com resultados promissores. No entanto, os eventuais efeitos indiretos não devem ser descurados, tendo sido referidos efeitos indiretos de alguns organismos libertados em cadeias tróficas. Ao contrário dos efeitos diretos, os indiretos nunca foram avaliados antes da libertação de agentes de controlo biológico. Neste contexto, os objetivos científicos desta proposta são: 1) avaliar os impactes de A. longifolia a um novo nível: redes-de-interação plantas-galhas e suas comunidades associadas; 2) analisar as redes de interação de forma a avaliar os efeitos indiretos de T. acaciaelongifoliae, quer antes (como uma ferramenta preditiva) quer após (como avaliação) a sua libertação; 3) mapear a distribuição de A. longifolia, em áreas selecionadas, através de deteção remota criando uma ferramenta útil para a gestão desta espécie invasora; 4) avaliar a possibilidade de usar deteção remota (espectroscopia) para monitorizar os efeitos de T. acaciaelongifoliae; e 5) avaliar o estabelecimento de T. acaciaelongifoliae e a sua eficácia no controlo de A. longifolia.


Do ponto de vista da gestão de invasoras, investir em controlo sem considerar a prevenção e a deteção precoce não faria muito sentido. Assim, propomos a implementação de um programa de deteção precoce de espécies invasoras, que envolverá ativamente alunos na recolha de dados e simultaneamente contribuirá para a sua sensibilização em relação ao tema.


Esta é uma proposta inovadora, necessária e sólida que pode diminuir significativamente os custos associados à gestão desta espécie invasora; beneficiará da experiência da equipa, que trabalha há mais de 10 anos com A. longifolia e outras plantas invasoras. As várias tarefas estão interligadas contribuindo para o objetivo comum de uma gestão de espécies invasoras bem-sucedida e baseada em dados científicos. A IR, apesar de jovem, tem estado envolvida na maioria dos projetos do CFE/UC sobre invasões biológicas, e o seu doutoramento versou também este tema. Este projeto conta ainda com especialistas mundiais como consultores.



Membros neste projecto
Sabrina de Carvalho
Investigador
Ruben Heleno
Investigador
Nuno Sá
Bolseiro de investigação
Lurdes Barrico
Investigaor
Hélia Marchante
Investigador
Helena Freitas
Investigador
Francisco A. López Núñez
Bolseiro de investigação
Elizabete Marchante
Investigador Responsável