Um Navio Português no Quénia

Breve descrição do conteúdo

O HTC está a escavar um navio português, do século XVI, em Ngomeni, Melinde, no Quénia, que pode ser o galeão S. Jorge, da 3a. Armada de Vasco da Gama. Em colaboração com o National Museums of Quénia, o HTC está a co-dirigir um projeto de arqueologia comunitária, que envolve a participação da população local e o desenvolvimento de capacidades na região. Os galeões portugueses foram desenvolvidos a partir de 1518 para navegarem no Oceano Indico e representam um avanço importante na construção naval europeia.

 

Inovação e impacto

Sob as águas de Ras Ngomeni encontra-se uma encruzilhada de civilizações. Ao longo da Costa Suaíli, os mundos africano, árabe e asiático encontraram-se durante mais de mil anos, tendo os europeus se lhes juntado há mais de 500 anos, no período da expansão marítima europeia.
A nossa equipa — dos Museus Nacionais do Quénia e na HTC, CEF, Universidade de Coimbra — está a escavar um naufrágio que data do início do século XVI, possivelmente ligado à terceira viagem de Vasco da Gama, em 1524.
Este projeto vai muito além do estudo de um navio afundado. A linha de costa alberga múltiplos naufrágios de uma longa e cosmopolita história marítima, cada um contando histórias de encontros e trocas através do Oceano Índico. Sem a devida conservação e proteção local, estes vestígios correm o risco de perda irreversível.
A nossa iniciativa vai para além da arqueologia. Em parceria com o projeto rotário “End Plastic Soup”, organizámos campanhas de limpeza costeira em Ras Ngomeni, onde ecossistemas de mangais e um recife de coral fossilizado suportam uma rica biodiversidade marinha que alimenta a comunidade local.
A educação é fundamental para a nossa missão. Trabalhamos em estreita colaboração com as escolas locais, partilhando conhecimentos sobre a história, o ambiente e o património cultural da região. Através do envolvimento dos jovens e da formação de mergulhadores, procuramos capacitar a comunidade como guardiã ativa da sua paisagem cultural submersa.
Neste momento procuramos apoio para reabilitar os espaços de conservação no Museu de Melinde, construir um centro de interpretação em Ras Ngomeni e formar mergulhadores locais como protetores do património cultural subaquático.
O nosso objetivo final é a proteção a longo prazo do património costeiro suaíli — combinando a preservação do património, a formação de jovens, a gestão ambiental e o desenvolvimento comunitário sustentável.

Sobre o autor

Filipe Castro

Investigador Integrado

Email

fvcastr@gmail.com

Afiliação institucional

HTC – CFE NOVA FCSH

Tipo de trabalho

Individual

Palavras-chave

  • Arqueologia
  • Vasco da Gama
  • Galeões
  • História da Expansão Europeia
  • Ambiente

Trabalho individual