Estudo sugere que microplásticos em sistemas aquáticos acumulam bactérias patogénicas resistentes a antibióticos
Estudo da investigadora do CFE, Isabel Silva, sugere que os microplásticos acumulam mais bactérias resistentes a antibióticos em substratos naturais, como a areia, em sistemas aquáticos.
Neste dia Internacional sem Sacos de Plástico (3 de julho) destacamos o mais recente estudo da investigadora do MicroLab do Centre for Functional Ecology, Isabel Silva, que sugere que os microplásticos acumulam mais bactérias resistentes a antibióticos em substratos naturais, como a areia, em sistemas aquáticos.
"Recentemente, verificou-se que as características destas partículas facilitam o estabelecimento de um conjunto de microrganismos com características distintas dos que se estabelecem noutros substratos. Uma das preocupações que se levanta é a possibilidade destes microrganismos incluírem bactérias resistentes a antibióticos, capazes de causar infeções graves (bactérias patogénicas)", enquadra a autora.
Durante a investigação, foi possível detetar «bactérias potencialmente patogénicas incluídas na lista prioritária da Organização Mundial de Saúde (OMS), multirresistentes, isto é, resistentes a três ou mais classes de antibióticos diferentes, e com características de virulência preocupantes. A maioria destas bactérias foi detetada em microplásticos expostos à influência das descargas de águas residuais, demonstrando uma vez mais o contributo destas descargas para a evolução do problema da resistência aos antibióticos», observa a autora.
Os resultados deste estudo, agora publicado na revista Environmental Pollution, mostram a grande pertinência no apoio a medidas que possam mitigar a dispersão da resistência a antibióticos.