
Objetivo |
O projeto GIANTS tem como objetivo utilizar carvalhos decíduos tradicionalmente desramados – árvores com séculos de idade, resultantes da prática histórica de pollarding – como arquivos biológicos capazes de revelar informação detalhada sobre o passado climático, os regimes de gestão florestal e as respostas ecológicas às variações ambientais no Mediterrâneo. Pretende reconstruir a hidrologia passada, incluindo variações de precipitação e períodos de seca, compreender como práticas tradicionais de manejo moldaram o crescimento das árvores e analisar como estes carvalhos responderam historicamente ao clima para melhorar previsões futuras num contexto de alterações climáticas.
Duração do projeto |
De 2024 a 2027
Instituição Financiadora |
Ministerio de Ciencia e Innovación, Espanha
Programa de Financiamento |
FEDER Una manera de hacer Europa
Responsável |
Susana Rodríguez‑Echeverría
Equipa |
Instituições participantes no Projeto |
- CSIC (Instituto de Recursos Naturales y Agrobiología de Sevilla; Estación Experimental de Zonas Áridas)
- Universidad Rey Juan Carlos
- Real Jardín Botánico (CSIC)
- Universidad de Granada
- CFE – Universidade de Coimbra
- UC Chile
- Universidades de Almería, Compostela, Complutense, entre outras
Custo total elegível (EUR) |
Área científica |
Dendrocronologia
Ecologia Florestal
Alterações Climáticas
Gestão de Ecossistemas e Paisagem
Paleoclimatologia
Conservação de Florestas Mediterrânicas
O projeto GIANTS parte da premissa de que os carvalhos decíduos submetidos à técnica tradicional de pollarding – uma forma de poda periódica realizada durante séculos em muitas regiões mediterrânicas – constituem testemunhos únicos do passado climático e ecológico. Estas árvores, frequentemente com mais de 400 a 500 anos, cresceram em condições de baixa competição devido à gestão humana, o que permite que os seus anéis de crescimento preservem sinais climáticos particularmente sensíveis e de elevada resolução temporal.
Apesar de esta prática ter sido comum até meados do século XX, o seu abandono recente levou muitos destes bosques a sofrer alterações estruturais, declínio fisiológico e maior vulnerabilidade face às mudanças climáticas. Paradoxalmente, muitas das árvores mais antigas sobrevivem ainda hoje perto de povoamentos humanos, representando um património biológico de valor excecional.
O GIANTS procura aproveitar este recurso natural singular para reconstruir condições hidroclimáticas do Mediterrâneo, identificar eventos históricos de gestão – como ciclos de poda – e decifrar como estas práticas influenciaram o crescimento e resiliência das árvores. O projeto envolve uma equipa multinacional com investigadores de Espanha, Portugal, Argélia, Marrocos, Itália, Grécia, Turquia e Alemanha, revelando a importância transcontinental da temática. Os resultados esperados contribuirão para compreender melhor a variabilidade climática passada, melhorar modelos climáticos futuros e orientar estratégias de conservação de paisagens mediterrânicas, incluindo dehesas e florestas manejadas tradicionalmente.
