Como é que se dá um prémio ao melhor artigo da Universidade de Coimbra (UC) ou à melhor contribuição científica? Essa foi a pergunta de partida para a criação da primeira edição dos Prémios de Incentivo às Publicações Científicas: Qualidade e Impacto, entregues numa cerimónia que celebrou a excelência e o talento emergente da investigação feita na UC.
A sessão marcou o arranque de uma distinção instituída pela Universidade de Coimbra, com o apoio da Fundação Santander. Pretende-se valorizar o rigor, a relevância e a influência da produção científica, além de incentivar uma cultura de publicação baseada na excelência e no contributo para o avanço da sociedade.
O Reitor da UC, Amílcar Falcão, destacou o significado do momento, afirmando que a criação destes galardões “era um desejo com muitos anos, o de poder entregar prémios científicos e de excelência científica”. Sublinhou, contudo, a dificuldade inerente, dada “a abrangência da Universidade de Coimbra nas várias áreas do saber”.
Amílcar Falcão recordou ainda que, para uma Universidade de investigação, é essencial garantir “a qualidade, a reputação e os resultados das investigações, ou seja, a produção de conhecimento”, acrescentando que a UC tem “muitas pessoas no top 1% e 5%” e que estas distinções representam “o agradecimento e o reconhecimento da Universidade por todo o trabalho que vem sendo desenvolvido”. Para o Reitor, é fundamental que “as pessoas percebam que estamos atentos”.
O Vice-Reitor para a área da Investigação, João Ramalho-Santos, explicou que tudo começou com uma reflexão conjunta com a Fundação Santander, parceira em iniciativas como os Prémios Semente. Sobre a génese dos prémios, contou que a equipa reitoral se confrontou com uma questão central: “Como é que damos um prémio ao melhor artigo da Universidade de Coimbra?” A solução foi distinguir três dimensões diferentes da investigação – “Qualidade, Impacto e Jovem Investigador”. Reforçou ainda que estes prémios comunicam à academia que a Reitoria está “atenta ao seu trabalho”, quer incentivá-lo e apoiá-lo, e que é igualmente importante “premiar os jovens investigadores”, lançando e consolidando carreiras em “patamares superiores de qualidade”.
“Além de receber o prémio, também me orgulha que a Universidade de Coimbra esteja a reconhecer o mérito” dos seus investigadores, destaca o professor do Departamento de Ciências da Vida da UC e investigador do Centro de Ecologia Funcional, Ruben Heleno. Vencedor na categoria “Qualidade”, o investigador reconhece a dificuldade de eleger “quem tem mais mérito”, mas admira o facto de a UC “não se encolher e tentar, mesmo assim, reconhecer o mérito de alguém”. O investigador tem como principal interesse de pesquisa a utilização de redes complexas de interações entre espécies para enquadrar importantes problemas de conservação em nível comunitário. Essas redes tróficas ou mutualísticas oferecem uma perspectiva holística para avaliar as causas e consequências de perturbações, como o impacto de invasões biológicas ou perda de biodiversidade, sobre importantes funções ecossistémicas, particularmente a dispersão de sementes e a polinização.
Ruben Heleno não consegue esconder o orgulho de ter uma aluna também premiada nesta primeira edição dos Prémios de Incentivo às Publicações Científicas. Sara Beatriz Marques Mendes, que concluiu o Doutoramento em Biociências – Especialização em Ecologia na UC em janeiro de 2025, venceu na categoria “Jovem Investigador”. “Um dos grandes privilégios de ser professor é ver jovens a desenvolver aquela curiosidade e aquela ânsia de querer fazer boa ciência”, salienta o investigador.
Receber este prémio “foi uma surpresa”, conta a professora da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra e investigadora do REQUIMTE/LAQV, Ana Cláudia Santos. Vencedora na categoria “Impacto”, a investigadora dedica o prémio a toda a equipa que desenvolve o trabalho em torno da “nanotecnologia aplicada à vectorização específica do cancro do pâncreas e também da regeneração de feridas”. A docente garante “continuar a contribuir para a qualidade da investigação que é feita na Universidade de Coimbra e promover uma visibilidade e prestígio cada vez maior da nossa instituição”.
A Presidente da Fundação Santander, Inês Rocha Gouveia, deixou uma mensagem de proximidade e compromisso, afirmando: “É um orgulho imenso para a Fundação Santander ser parceira da Universidade de Coimbra, somos mais do que parceiros, somos amigos.” Sublinhou a vontade de “inovar na forma como incentivamos a investigação” e destacou que a Fundação pretende contribuir para que a UC continue a ser “um polo importante para o país de inovação aliado à tradição”.
